Preparar o orçamento de uma unidade turística para 2027 começa por relacionar a atividade esperada com os recursos necessários para a assegurar. Para um alojamento local, turismo rural ou pequena unidade, este exercício ajuda a organizar a época seguinte e a escolher prioridades com maior informação.
Uma base prática combina o orçamento de exploração, com rendimentos e gastos previstos, e um mapa de tesouraria, com as datas dos recebimentos e pagamentos. Assim, consegue acompanhar o desempenho esperado e a disponibilidade financeira ao longo do ano.
Reúna o histórico e defina as prioridades de 2027
Comece pelos dados da sua unidade: noites vendidas, preços praticados, cancelamentos, faturação, comissões, consumos, equipa e manutenção. Organize-os por mês e, quando for útil, por tipologia e canal de reserva.
Identifique também o que pretende concretizar em 2027: renovar um espaço, ajustar o período de abertura, reforçar a equipa ou desenvolver as reservas diretas. Cada objetivo deve ter recursos associados.
Separe os valores realizados das previsões
Em outubro, 2026 ainda está em curso. Distinga os valores já apurados da previsão para os meses restantes. Esta separação permite criar uma estimativa de fecho do ano e atualizar a base quando existir informação definitiva.
Registe os pressupostos e a respetiva origem: histórico, contrato, orçamento de fornecedor ou estimativa interna. Um modelo financeiro ganha utilidade quando as projeções estão fundamentadas.
Estime as receitas mês a mês
A sazonalidade deve refletir-se nas previsões. Considere os períodos de abertura, os eventos relevantes para a unidade, a procura habitual e as reservas existentes à data.
Relacione capacidade, ocupação e preço médio
Escolha a unidade de cálculo: quarto-noite, quando vende quartos, ou alojamento-noite, quando vende um alojamento completo. Mantenha essa base em todas as contas.
Calcule as unidades-noite disponíveis somando as noites comercializáveis de cada quarto ou alojamento, considerando encerramentos e indisponibilidades previstas.
Use depois estas relações:
Unidades-noite vendidas previstas = unidades-noite disponíveis × taxa de ocupação prevista
Receita de alojamento prevista = unidades-noite vendidas previstas × preço médio por unidade-noite
Na primeira fórmula, utilize a taxa em formato decimal. No preço médio, considere os descontos previstos e use valores antes das comissões e sem IVA liquidado, quando aplicável.
Faça a conta por mês e tipologia. As reservas já existentes integram essa previsão; avalie os cancelamentos com base na informação disponível.
O TravelBI disponibiliza indicadores como o ADR (receita média por quarto ocupado) e o RevPAR (receita por quarto disponível). Podem ajudar a contextualizar a análise, verificando a cobertura estatística e a comparabilidade com a sua unidade.
Considere os canais de venda e os serviços adicionais
Estime o peso das reservas diretas, das plataformas e de outros intermediários. No modelo de gestão, apresente as comissões numa linha própria, com a base de cálculo prevista em cada contrato.
Preveja separadamente serviços adicionais, como pequenos-almoços ou experiências, quando existam. Associe-lhes os custos necessários e evite contar novamente serviços já incluídos no preço do alojamento.
Organize os custos de funcionamento e de equipa
Agrupe os custos conforme o comportamento esperado:
- Estrutura: rendas, seguros, software, contabilidade e contratos regulares;
- Atividade: lavandaria, consumíveis, comissões, pequenos-almoços e componentes variáveis dos consumos;
- Equipa: remunerações, subsídios, encargos da entidade empregadora e reforços previstos;
- Manutenção corrente: intervenções e serviços necessários ao funcionamento.
Escolha uma base adequada a cada encargo. A limpeza pode depender das saídas, a lavandaria da utilização e o pequeno-almoço do número de hóspedes servidos. Uma ocupação semelhante pode gerar necessidades diferentes conforme a duração das estadas.
Confirme os valores conhecidos através dos contratos e de propostas atualizadas. Identifique as estimativas que precisam de revisão e distribua os gastos pelos meses a que respeitam.
Planeie os investimentos e o financiamento
Liste as aquisições e intervenções previstas, com finalidade, prioridade, orçamento e calendário de pagamento. Considere também eventuais períodos de indisponibilidade durante os trabalhos.
Valide com a contabilidade a classificação entre manutenção e investimento. Um equipamento reconhecido como ativo pode dar origem a depreciações ao longo da vida útil; o pagamento e o gasto contabilístico seguem momentos próprios.
Se houver financiamento, organize separadamente os montantes a receber, o reembolso do capital e os juros. O capital recebido e reembolsado integra o planeamento financeiro; os juros têm o respetivo tratamento como gasto.
Esta separação ajuda a avaliar o efeito de cada decisão no resultado e na tesouraria.
Prepare o mapa de tesouraria
Calendarize os recebimentos e os pagamentos
Parta da previsão do saldo disponível no início de janeiro de 2027, construída a partir da estimativa de fecho de 2026.
Distribua os recebimentos pelas datas esperadas: sinais, pagamentos dos hóspedes e transferências das plataformas. Relacione cada montante com a reserva, considerando comissões retidas e eventuais reembolsos. Se o recebimento estiver líquido de uma comissão, evite voltar a lançar essa mesma comissão como pagamento separado.
Calendarize fornecedores, remunerações, encargos, impostos, investimentos e prestações de financiamento.
A relação mensal é:
Saldo final previsto = saldo inicial + recebimentos previstos − pagamentos previstos
O saldo final de um mês passa a saldo inicial do seguinte. Esta leitura permite identificar os períodos que precisam de preparação adicional e avaliar o calendário das decisões.
Um adiantamento de um hóspede pode entrar antes da estada. O rendimento deve ser reconhecido de acordo com a prestação do serviço e as normas aplicáveis, enquanto a tesouraria acompanha o recebimento.
Valide o enquadramento fiscal
Confirme com a equipa de contabilidade os impostos, contribuições e eventuais taxas municipais aplicáveis à unidade, bem como a previsão dos pagamentos.
No orçamento de exploração, o IVA liquidado não integra os rendimentos. O IVA dedutível fica fora do custo; a parcela não recuperável integra o custo do gasto ou do investimento, conforme aplicável. O direito à dedução depende do enquadramento, da operação e da documentação. Na tesouraria, considere os valores efetivamente recebidos e pagos, incluindo o IVA quando aplicável.
Identifique os pressupostos fiscais e laborais dependentes de confirmação para 2027 e atualize-os quando existir informação aplicável.
Teste três cenários para apoiar as decisões
Prepare um cenário central, um prudente e um favorável, usando pressupostos próprios e documentados.
Pode variar a ocupação, o preço médio, os cancelamentos, o peso das plataformas ou determinados custos. Mantenha coerência: uma atividade mais intensa pode exigir mais limpeza, consumíveis e horas de trabalho.
Observe como cada cenário altera o resultado e o saldo mensal. Depois, associe decisões concretas: quando realizar uma melhoria, que reforço de equipa preparar ou que campanhas avaliar.
Defina também um saldo mínimo desejado para orientar o planeamento. Trata-se de um critério de gestão a ajustar à realidade da unidade.
Estruture o ficheiro e acompanhe os resultados
Uma folha de cálculo pode organizar o trabalho assim:
Área | Informação principal |
Pressupostos | Fontes, datas, capacidade, ocupação e preços |
Exploração | Rendimentos, gastos e resultado previsto |
Investimentos | Prioridades, valores e calendário |
Tesouraria | Saldos, recebimentos e pagamentos |
Acompanhamento | Orçamentado, realizado, diferença e ação |
Use colunas mensais e um resumo anual. Distinga o que já está confirmado do que continua estimado e identifique quem atualiza cada área.
Durante 2027, compare mensalmente o realizado com o orçamento inicial. Explique as diferenças relevantes e atualize a previsão dos meses seguintes, preservando a versão aprovada como referência. A comparação regular ajuda a ajustar o planeamento com informação atual.
A diferença pode resultar do volume de atividade, do preço, do custo unitário ou apenas da data de recebimento ou pagamento. Compreender a causa permite escolher a ação adequada.
Conclusão
Preparar o orçamento de uma unidade turística para 2027 passa por organizar informação, fundamentar previsões e relacionar receitas, custos, investimentos e tesouraria.
Comece por uma estrutura que consiga manter atualizada. Ao trabalhar mês a mês e testar cenários coerentes, ganha uma base para preparar a atividade, calendarizar decisões e acompanhar a evolução da sua unidade.
Prepare o orçamento de 2027 com a BERSAL
Na BERSAL, apoiamos a organização da informação administrativa, contabilística e de gestão da sua unidade turística. Podemos ajudar a estruturar o orçamento e o acompanhamento da tesouraria, de acordo com a dimensão e as necessidades do negócio.
Fale com a nossa equipa e prepare o orçamento de 2027 com maior clareza.
A informação apresentada tem caráter geral e não substitui a análise da situação concreta do negócio.
Nota de validação editorial: fontes consultadas em 23 de outubro de 2026. As regras fiscais e laborais aplicáveis a 2027 devem ser verificadas na preparação e atualização do orçamento.
